Painel de Especialistas. Discussões e Método Delphi

Para melhor aplicação dos dados coletados a campo, foram realizadas duas rodadas de entrevistas semiestruturadas (rodadas Delphi), entrevistas essas pré-agendadas e realizadas em local e horário escolhido pelos entrevistados, a qual possibilitou cenário confortável, estando esses, em seu ambiente de trabalho. As entrevistas ocorreram sem interrupções, como foram feitas análise de conteúdo a priori Bardin (2010), no intuito de semiestruturar o formulário de perguntas, foi possível extrair a coleta de dados sem que se ocorresse fuga do problema pesquisado.

Para isso, foram feitas separações dos entrevistados em categorias practitioners, acadêmicos e agentes públicos. As entrevistas foram gravadas, transcritas e tabuladas. Após a tabulação foram separadas em códigos, que consistiram em três categorias seguintes, tecnologia, infraestrutura e burocracia que por sua vez se dividiram em

Dados particulares obtidos (Saturação)

Verdade geral ou universal


rótulos nos quais os especialistas consideram como obstáculos para a boa execução de movimentação de CEI, a partir daí, nos debruçamos e montamos sinapses, cruzamos os dados e conexões em que os entrevistados mais relataram, a fim de destacarmos a saturação teórica. Portanto, na primeira rodada de discursões, análise e coletas de dados, foram entrevistados quatro especialistas que atuam diretamente com as operações de transporte de CEI, Marcos Antônio, diretor comercial da empresa Ypiranga Transporte, levantou questões como a infraestrutura, apontando como maior obstáculo para movimentação de matérias e que extrapolam as responsabilidades das empresas do setor e que como isso interverem no desenvolvimento da região metropolitana:

“Hoje nós vivemos em um país que estão tentando se modernizar com a situação de pedágio, em termos de melhoria de vias, então isso ainda, possa ser que daqui a 10 ou 15 anos seja uma realidade, hoje não, hoje é muito ruim, se você for movimentar uma carga indivisível subindo as Br’s principais da região sudeste que é a BR101 e BR262, temos um gargalo assim, muito ruim nesse segmento. Saída de porto é o mais problemático porque geralmente foram as casas que não foram projetadas e uns invadiram, tipo assim, você fica sem largura e sem altura, hoje a gente sabe que no Brasil é realidade”.

na mesma linha de raciocínio, Leandro Rodrigues diretor de operações e escolta batedor da Destak transporte e logística, aponta que a

infraestrutura precária como

rodovias e a localização dos portos dentro da grande vitória, que por serem dentro das

cidades de onde sai a grande maioria das cargas tem um impacto muito grande no

planejamento das operações da empresa:

“Um exemplo da infraestrutura precária são as rodovias e a

localização dos portos dentro da grande vitória, que por serem

dentro das cidades de onde sai a grande maioria das cargas tem

um impacto muito grande no planejamento de nossa empresa.

A burocracia por parte dos órgãos responsáveis para liberar a

Polícia Rodoviária Federal para fazer a escolta. A demora na

liberação e renovação de carteira de habilitação especial para

profissionais de escolta batedor. Assim como também existe a

dificuldade em encontrar mão de obra adequada”.

Flávio Fernandes diretor de operações especial e gestor de projetos da empresa Transuíça, acreditar que além de questores estruturas, a burocracia é a que mais impactam nas operações de CEI, uma vez que “a burocracia aumentou consideravelmente com a concessão de algumas rodovias”. E continua:

“é comum à imputação de restrições e necessidade de estudos prévios de viabilidade, que além de onerar o frete, prolongam o cronograma de início de transito e que prolongamento do prazo de liberação de licenças e programações, onde impactam diretamente no custo e planejamento do transporte”.

A inda aponta para o desconhecimento dos próprios agentes fiscalizadores como um entrave burocrático, relatando que:


“a falta de conhecimento dos analistas das rodovias, no tocante aos equipamentos e soluções ofertadas. Existe uma negativa sem analise, ou conhecimento especifico do meio por parte deles e isso gera um desgaste do transportador em expor a solução para pessoas que desconhecem o meio”.

Convergindo com os apontamentos aos gargalos conforme os peritos anteriores, Daniel Galvani instrutor de curso MOOP e de cargas indivisíveis da empresa Transuíça, comenta que como a burocracia e a infraestrutura contribuíram para dificultar a operação de movimentação e transporte de CEI. Ele relaciona as características das cargas que por si só, são cargas complexas, dizendo que:

“O transporte de indivisíveis por si só já é algo demorado devido à restrição de velocidade, que pode chegar a 20 km/h em alguns trechos, somando a questão da burocracia para liberação e a falta de conhecimento documental dos responsáveis pela fiscalização e o planejamento que tem que ter para verificar a viabilidade de infraestrutura, que muitas vezes é precária, faz com que todo o processo seja bem demorado e oneroso”.

Ao fim da primeira rodada, foi possível observar que os operadores logísticos (practitioners), convergiram em vários pontos que propusermos ser abordados no Q1 (questionário um).

A procura do consenso entre dos peritos em relação ao tema que é a proposta de método Delphi e seguindo o quinto passo da análise de conteúdo de Badin (2010) que consiste na saturação teórica dos dados por meio da identificação de ausência de elementos novos em cada agrupamento. Seguimos a segunda rodada de entrevista composta por agente público envolvido com o tema objeto de estudo que trata do mesmo assunto. Com isso, abrindo a segunda rodada, entrevistamos o agente de polícia rodoviária federal (PRF). Foi perguntado como é feita o preparo dos agentes fiscalizadores no âmbito do trânsito de CEI. O agente apontou que existem muitos cursos que são ministrados aos agentes pela a instituição e diz:

“a legislação de trânsito é muito vasta, então a gente tem que estar sempre se aperfeiçoando, a gente também vai esquecendo e às vezes resoluções que complementam o código de trânsito brasileiro na verdade são a principal, o código de trânsito é o secundário, então a gente tem sempre cursos envolvendo isso daí”.

e completa que sobre especificamente CEI, não tem treinamento, relata que, na verdade nunca fiz curso pela PRF de carga excedente, mas tem um pouco da prática vivenciada dia a dia.

Sobre os gargalos do transporte de CEI, o agente fala que a burocracia é que mais dificulta na operação, uma vez que:

“entre você ter uma carga na origem e chegar com ela ao destino você depende de licença do poder público, depende de presença física do poder público, (escolta ou da PRF ou da Polícia Militar Estadual) e isso é muito burocrático” e continua “0o poder


público atrapalha o setor privado de desenvolver, é lógico que tem que haver fiscalização, mas o poder público atrapalha o setor privado de desenvolver”.

e concluí que o poder público é o primeiro entrave para o desenvolvimento do setor logístico. Sobre infraestrutura o agente fala, sobre mobilidade e de como as cidades foram sendo desenvolvidas e comenta:

“Agora a própria mobilidade urbana também atrapalha muito, por que as cidades não são desenvolvidas para o futuro, elas são colocadas como se fossem vomitadas. O transporte rodoviário é assim, o cara está na Rodovia Federal aos trancos e barrancos, desenvolvendo, andando, de repente ele vai para uma Rodovia Estadual e às vezes não tem meios para poder chegar à carga ao destino dele com facilidade, tem que ter acompanhamento de Escelsa, de Cesan, de não sei que e por aí vai”.

Aponta também que devido à falta de planejamento urbano na grande Vitória, resultaram em obstáculos como fiação baixa, sinalização semafórica isso tudo resulta em maiores custos no transporte. E continua falando de ter mais equilíbrio nos modais de transporte para desafogar a malha rodoviária:

“Primeiramente que o Brasil é feito na sua quase totalidade por transporte rodoviário. É uma coisa erradíssima. A gente teria que ter uma malha ferroviária muito mais extensa, um transporte aquático muito maior, para poder desmobilizar o transporte de carga rodoviária, deixar a malha rodoviária para veículos pequenos”. Fala que os riscos de se ter um único modal para atender o transporte de CEI, “Você vê, temos uma malha rodoviária sucateada, rodovias simples no Brasil praticamente quase todo. Você pega a BR101, uma das maiores rodovias do Brasil, rodovia simples, agora que está duplicando com a Eco101 na marra. E você tem ali o transporte rodoviário junto com o transporte de passageiros, transporte de turismo e o transporte do dia a dia, então isso é terrível”.

Sobre tecnologia, ele falou sobre a importância do planejamento para as empresas que atuam no setor e que as tecnologias são ferramentas que auxiliam em muito para o planejamento estratégico das operações tanto nas operações logísticas como nas de fiscalização e conclui que

“planejamento da fiscalização é para ter uma maior eficiência no transporte, fiscaliza-se para poder estar com os equipamentos bons, não causar risco de acidente, ter eficiência no transporte, ter eficiência no resultado final, que é o destino aonde a carga vai. E as empresas também é a mesma coisa, elas têm que ter equipamentos bons, passar por testes de qualidade da ISO 9000. Quanto melhor os equipamentos das empresas, menor o risco operacional dela e melhor a qualidade do trabalho que ela vai executar”.


Seguindo nas discussões ainda na segunda rodada delphi, buscamos na coleta de dados, intuito de obtenção do consenso. Com os especialistas acadêmicos atuantes no setor de logística. O professor de Logística, Gestão Financeira, Comércio Exterior e Gestão Comercial que atua no CET-Faesa Alex Silva, quando perguntado a respeitos dos entraves observados pelo mesmo no transporte de CEI, foi assertivo quando atribuiu grande peso desses gargalos enfrentados hoje a questões da falha na elaboração de um plano eficiente para infraestrutura rodoviária do estado. Tendo dito:

“Os gargalos maiores de cargas indivisíveis que nós temos aqui é falta de planejamento nas estradas, falta de planejamento aéreo na questão de fiação, semáforo”. “Finalizando sua narrativa acrescentando a importância de empresas e profissionais capacitados para se transportar CEI”.

Em uniformidade com a declaração do agente público, o professor segue seu depoimento defendendo que o desencorajamento das empresas de transporte de CEI em realizar investimentos para melhorar o desempenho de sua atividade se justifica na burocracia do governo, posto que:

“[...] uma empresa não pode estar investindo num determinado tipo de serviço por que ela vai ficar dependente conselhos, governos, licença para poder transportar. ” Ainda, em similaridade ao mesmo pensamento do agente, o professor incorpora nesse contexto a infraestrutura “Se você for pegar para olhar, não vale a pena uma empresa investir, só o transtorno de você pegar isso e você rod ar cinquenta quilômetros numa BR, numa rodovia aqui dentro do nosso Estado, principalmente aqui, e você não tiver nenhum entrave no meio que você tenha que desalojar um semáforo, desalojar fio, desalojar passarela, estrada ruim, obras em estradas não planejadas. O problema é você investir, você investe para você ganhar como?!”

“Se você falar, quero pegar uma carga indivisível daqui do porto de Vitória para a Serra você não consegue fazer um transporte desses em menos de cinquenta dias, só para pegar a licença, essas coisas todas“.

O professor acredita que para reduzir os impactos decorrentes dos entraves supracitados na operação das empresas de transporte de CEI é preciso que haja uma parceria entre o governo e as empresas para:

“[...] fazer um redesenho das nossas estruturas logísticas, tanto tendo as empresas trabalhando corretamente, pagando os impostos corretamente e o governo usando os impostos corretamente. “E ressalta a importância de” o governo fiscalizar empresas que possuem atividade que implicam em possíveis limitações para o transporte de CEI e a importância de se ter profissionais capacitados tanto no governo quanto nas empresas privadas, quando diz “Igual hoje você vê”. qual estrutura que o governo cobra da nossa EDP ESCELSA, dessas empresas de Internet que ficam colocando fio para tudo quanto é canto?! E qual a estrutura do semáforo que nós temos hoje?! Nossos semáforos são altamente programados?! Se você for pegar pelo trânsito não são, então é um conselho pegar profissionais de verdade da área para estar dentro do governo, estar nas empresas privadas, estar participando nisso aí para


que flua, por que hoje você tem horário de restrição para passar caminhões aqui dentro da Grande Vitória, mas mesmo sem caminhão tem trânsito absurdo, na hora que você vai ver são os semáforos extremamente mal programados. E fora a mão de obra mal qualificada como alguns guardas de trânsito que não sabem o que é fluxo. Então esses são alguns problemas que temos hoje aí que poderia ter mais investimento, mais tecnologia, mais estudo, mais parcerias e mais planejamento”.

Quanto à questão do avanço da tecnologia na área do transporte de CEI, o professor afirma que há bastante, porém o alto custo se torna uma barreira a sua implantação, tendo em vista que:

“[...] as tecnologias ainda são caras, então você consegue ainda ver empresa trabalhando ainda no modo arcaico, trabalhando com Excel, trabalhando com anotação em papel. ”

No quesito de planejamento é entendido pelo professor como algo estratégico e fundamental para viabilizar o transporte, onde é preciso considerar “[..] horário de saída, horário que vai transitar, horário que vai abastecer, onde vai parar, aonde vai ser a primeira e segunda parada, aonde estão as curvas se esse processo fiscal vai fazer a curva ou não, ou se tem que fazer algum tipo de obra, arranjar algum tipo de equipamento diferente, quais os equipamentos que tem que estar seguindo ele caso aconteça um problema, vamos supor, o carro bateu num buraco ou a carga virou.” Depois faz uma comparativo, “Então tem que ter o planejamento de 100% de toda a execução da operação, não é igual uma carga de varejo, por exemplo, que você coloca no carro e fala essa aqui é primeira, segunda, terceira e quarta entrega e vai com Deus. Carga indivisível não, se você não calculou tudo, olhou todo o trajeto, viu as dificuldades, não sabe o raio de giro do carro na primeira curva parou, tem que voltar para empresa. “

O professor declarou não saber sobre a prática para elaboração de um planejamento para o transporte de CEI, mas nos informou sobre a teoria que, de acordo com o mesmo, começa no:

“[...] conhecimento da rota, fazer toda a medição da rota: se o carro passa ou não, qual o tamanho da via, qual o tamanho do carro, qual o peso do carro, se ele vai passar qual altura, quando o carro vai fazer a curva o giro da peça é o mesmo giro do veículo ou o giro da peça é maior. Então são esses processos que você tem o impacto, se você não faz um planejamento, não conhece bem a área que você vai rodar com seu carro, não conhece 100% do giro da peça, o tamanho da peça, o equipamento que você vai levar se ele tem a condição de poder virar. Então você tem que usar desde mapas, desenhos de engenharia, ter um engenheiro próximo de você para poder te falar se aquela pista aguenta ou não, você ter noção da parte área de toda pista que você vai passar, aonde tem passarela que

pode passar o veículo. ”

Como nossa pesquisa é especificamente sobre os gargalos enfrentados pelas empresas de transporte de CEI na Grande Vitória, questionamos o professor quanto ao ponto de vista dele sobre os principais gargalos dessa região. O mesmo no respondeu que há “Falta de planejamento da Grande Vitória inteira, as pistas da Grande Vitória são pistas pequenas e estreitas, as curvas são fechadas que não são interessantes para um carro com carga indivisível, não temos pontes capacitadas para receber esse tipo de transporte. Se você for passar na Segunda Ponte com um transporte desses é acidente, se for passar nas cinco pontes é acidente, então quer dizer a estrutura da Grande Vitória não foi feita para logística de caminhões, ela foi feira para logística de veículos pequenos, carros de médio porte. ”

Professor universitário de Logística Empresarial e Internacional, Marcos Stockl relatou como sendo o maior entrave para o transporte de CEI as características únicas exigidas dos veículos e as condições gerais da pavimentação. E relacionaram esses gargalos, a geradora de “burocracia, atrasos, multas, etc.” para a operação da empresa.

O professor declara, em dissonância com o que o professor Alex Silva disse que para melhorar o transporte de CEI é necessário aumentar a fiscalização do governo e das empresas privadas, tanta a empresa que faz o transporte quanta para empresa que contrata. Além da criação de políticas públicas que possam assegurar uma infraestrutura adequada para o transporte rodoviário.

De acordo com o professor Marcos, o planejamento está vinculado a redução de custos, segurança e eficácia, uma vez que:

“O planejamento na grande maioria das vezes traz não somente a segurança e execução do transporte eficaz de mercadorias indivisíveis, bem como evita maiores custos, atrasos além de possíveis multas.” E, de acordo com o mesmo, a construção do planejamento para transporte de CEI se inicia conhecendo a carga a ser transportada e, a partir daí se escolhe o veículo e faz toda roteirização levando em considerações os aspectos anteriores.

Dentro do contexto da região da Grande Vitória, ele expõe que “[..] grande quantidade destas mercadorias indivisíveis tem como destino os portos, a infraestrutura rodoviária de acesso ao porto de Vitoria é limitada, restrita e incapaz de proporcionar um melhor acesso a estes tipos de veículos especiais de transporte”.

Ainda sobre planejamento, Marta Azzari professora titular da Faculdade PIO XII que atua na área de transportes, seguros e GPMO, relaciona como a segurança das operações e as tecnologias como ferramentas que auxiliam na movimentação do CEI:

“Como o transporte afeta a segurança da carga e de todos os outros veículos que cruzam seu caminho, a transportadora deverá ter o conhecimento muito forte neste seguimento. As leis estabelecem uma série de itens que deverão ser cumpridos para evitar ou minimizar os acidentes. O entrave é a adaptação do veículo para cada carga diferenciada”

Após as entrevistas com os peritos criamos uma nuvem de palavras para mostrar quanto das palavras mais apareceriam e o seu grau de importância dentro conforme o tamanho da fonte dentro da nuvem, para a partir, de então, poder fazer a categorização e rotulação das palavras conforme mais citado no tema.


9 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Esta pesquisa exploratória dispõe de uma abordagem qualitativa com o intuito de investigar, por meio da técnica Delphi, quais os gargalos burocráticos e estruturais enfrentados no transporte de CEI (C

A estrutura do transporte de cargas no Brasil passou por modernização em meados das décadas de 1990 e 2000, indo dês da renovação de frota nas transportadoras com a abertura econômica/comercial, passa

 
Manager (noscript) -->