OBSTÁCULOS DO TRANSPORTE DE CARGAS INDIVISÍVEL NA REGIÃO METROPOLITANA DA GRANDE VITÓRIA

Danilo Rodrigues Barbosa


Introdução

Este capítulo tem por objetivo identificar e caracterizar os principais gargalos enfrentados pelo setor de transportes rodoviário de CEI (carga especial indivisível) no perímetro urbano da grande Vitória, a luz dos especialistas e dos stakeholders, que a partir de rodadas de discussões possam ser identificadas as fraquezas e fragilidades das operações no intuito de se propor soluções e que os riscos de operações de movimentação de cargas de grande porte possam ser mitigados. O artigo desenvolveu um estudo de caso exploratório que descreveu sobre o aspecto gerencial dos practitioners, do teórico dos acadêmicos e no âmbito fiscalizador e mediador dos agentes públicos como são vistos a movimentação e transportes de CEI dentro do microcenário da grande Vitória. Caracteriza carga indivisível e avalia as ferramentas e as técnicas, enfatizando a importância do planejamento, controle e ação na atividade. Os resultados analisados nesse estudo indicam que uma boa gestão do planejamento podem ser um diferencial competitivo nas empresas e que sua aplicação nos setores públicos pode auxiliar no bom andamento dos processos (desburocratização) e colocando-se como elemento importante para o aprimoramento operacional.

Com a divisão e diversificação do trabalho que culminouna primeira e segunda revolução industrial (séc. XVIII eXIX) e com a revolução tecnológica (séc. XX e XXI), também conhecida como a terceira revolução industrial,segundo entendimento de alguns historiadores (e.g. Landes 1999). Dentro dessas mudanças de comportamento cultural com o passar do tempo, está o fenômeno da globalização, que interligou empresas em diferentes países do globo, diminuindo distâncias através das tecnologias. A tecnologia da informação possibilita um fracionamento intenso da lógica de fabricação, em busca de facilidades de produção onde quer que estejam, fossem elas proximidades demercados, mão-de-obra barata, flexibilidade das normas ambientais, economias fiscais ou clusters tecnológicos(concentração de empresas), visando maximizar lucros. O discurso hegemônico sobre os benefícios da inserção no mercado global desenvolveu-se como suporte a essa necessidade das corporações transnacionais, de globalizarem seus mercados e sua produção, de modo a operar simultaneamente com maiores escalas e menores custos possíveis (DUPAS, 2007). Podemos observar que estamos vivendo um período de transição da terceira para a quarta revolução industrial e que os desafios aserem enfrentados serão ainda maiores na cadeia de suprimentos (CS).

Nesse contexto, o Espírito Santo possui posição geográfica estratégica (por possuir um braço atlântico), pois pode atender tanto a região sudeste quanto a centro-oeste do país, em duas vias de comercialização,tanto na importação como na exportação, com menor custo em menor tempo, pois possui o maior complexo portuário da América Latina (Carvalho, Atres, 2012). E assim têm grande potencial para atender a demanda de cargas especial indivisível.

O Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) é quem determina e regula os transportes de cargas indivisíveis e excedente definemda seguinte forma:

Art. 4.Carga indivisível é a carga unitária com peso e/ou dimensões excedentes aos limites regulamentares, cujo transporte requeira o uso de veículos especiais com lotação (capacidade de carga), dimensões, estrutura, suspensão e direção apropriadas. São exemplos de carga indivisível, entre outras: máquinas, equipamentos, peças, pás eólicas, vagões, transformadores, reatores, guindastes, máquinas de uso industrial, na construção e máquinas agrícolas, estruturas metálicas, silos.

Chamaremos nesse artigo como CEI (Carga Especialindivisível). Visando entender quais os maiores obstáculos para o transporte de CEI e buscar respostas para essas questões, buscamos junto aos Operadores logísticos (OPL) através de entrevista semiestruturada,argumentos que possam ser identificados os maioresdesafios para o transporte de CEI no estado, se são de infraestruturas, quais os pontos estruturais?.Principalmente no complexo portuário de Vitória (que concentravários terminais, tanto em Vila Velha e em Vitória, como o Cais de Vitória, a Companhia Portuária Vila Velha. CPVV, Terminal Vila Velha TVV, Capuaba, Peiú, Paul/Codesa e Flexibrás) que é o único quemovimenta cargas gerais, segundo dados Companhia Docas do Espírito Santo (CODESA, 2017).

Analisar sob a ótica dos OPLs, como pode ser operacionalizado o transporte de CEI além do modal rodoviário, se é viável a utilização de outros modais(Hidroviário, marítimo, ferroviário), uma vez que as deficiências estruturais apresentadas são enormes e queexiste uma sobre carga no modal rodoviário brasileiro (60 por cento do transporte é rodoviário. ANTT, 2006) oque compromete a eficiência logística nos transportes de CEI.

O estudo tem por objetivo identificar no OPL especializado como é feito a operação de transportes de CEI e sua capacidade de mitigar riscos operacionais. A priori foram feitas uma abordagem qualitativa para coletas de dados via entrevista semiestruturada, por meio do método Delph, foram feitas duas rodadas de entrevistas com especialistas de diferentes áreas do mesmo seguimento (praticantes, acadêmicos e agentes públicos), afim de se obter o balanceamento em nosso painel de especialistas para que chegássemos ao consenso sobre os gargalos (obstáculos) das movimentações de CEI. Ao término de cada rodadaforam aplicadas a técnica de análise de dados, análise de conteúdo de Bardin, 2011.  

Portanto, investiga-se: quais os obstáculos estruturais, tecnológicos e burocráticos, enfrentados pelas empresas de transporte de

carga especial indivisível na região metropolitana da Grande Vitória?

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